Friday, 1 August 2008

Everybody knows


Cena 1

Noite/ interno/ quarto

(travelling lento / plano conjunto de cima / dos pés a cabeça)

Garoto jovem deitado na cama vestindo calça e blusa de moletom preto,fumando um cigarro. Cama com o cobertor bagunçado, roupas jogadas e um cinzeiro apoiado nessas roupas. Ele esta com fones de ouvido, olhos fechados.

Áudio: Música alta vinda de um fone de ouvido.

(Zoom in no ouvido / entra dentro)

Tela branca cheia.

Música ganha força e fica nítida.

Imagens de uma criança sozinha correndo num campo verde, caindo, subindo na arvore, chorando, rindo.


Áudio: The Árcade Fire – Haiti

Haiti, mon pays,
wounded mother I'll never see.
Ma famille set me free.
Throw my ashes into the sea.
 
Mes cousins jamais nés
hantent les nuits de Duvalier.
Rien n'arrete nos esprits.
Guns can't kill what soldiers can't see.
 
In the forest we are hiding,
unmarked graves where flowers grow.
Hear the soldiers angry yelling,
in the river we will go.
 
Tous les morts-nés forment une armée,
soon we will reclaim the earth.
All the tears and all the bodies
bring about our second birth.
 
Haiti, never free,
n'aie pas peur de sonner l'alarme.
Tes enfants sont partis

(No final da música, criança pula num abismo branco, com muita luz)

Garoto abre os olhos esbugalhados.


(Câmera tremula / segue em plano fechado nas ações)

Levanta ofegante da cama, tira seus fones, calça o tênis de skate velhos rapidamente, abre a gaveta do seu criado-mudo cheio de livros e papéis em cima, pega algumas notas de dinheiro, procura moedas no fundo da gaveta. Nervoso, arranca a gaveta e joga tudo que tem nela no chão de tacos de madeira. Tem caixas de cds vazias, livros, papéis amassados, cabos elétricos, uma caneca de plástico, desodorantes e remédios. Garoto consegue achar moedas e mais notas. Levanta e enfia tudo no bolso. Sai do quarto, passa por um cômodo quase sem luz, chega na porta, procura chaves penduradas na parede, abre a porta sai e fecha.


(zoom out / câmera subjetiva volta)

Lentamente volta pelo cômodo escuro, chega no quarto dele, deita na cama, mostra teto escrito “stay here” pichado de spray.

Áudio: Silêncio

Cena 2

Dia/ externo/ rua

(Plano geral - frente do prédio)

Garoto sai do prédio, vira à sua esquerda, coloca o capuz e coloca as mãos nos bolsos da calça. Andando rapidamente.


(Travelling – plano geral)

Garoto entra no prédio velho ao lado do seu.


Áudio: Joy Division – Transmission

(Pan 360º - lento)

Carros passando, pontos de ônibus com muita gente, mendigos nas calçadas. Carro freia seco, outro carro bate atrás.

(Corta seco áudio Joy Division)


(Plano dentro do carro acidentado)

Cara engravatado com a cabeça no volante, nariz sangrando

Áudio: Buzina disparada.

Cena 3

Dia/ externo/ rua

(Plano detalhe – rosto do garoto)

Garoto coçando o nariz, ofegante e assustado.

(Plano geral da calçada)

Garoto segue pela rua até sumir de plano

Áudio/ BG: Sons da rua

(Plano Detalhe do rosto)

Falando baixo pra si mesmo

Garoto: Tem que ser! Vai ter que ser assim.

Cena 4

Dia / interno

Áudio: Drop the Hate – Fatboy Slim (até o final)

(Câmera de segurança do elevador)

Garoto encostado na parede do elevador vazio

( zoom out - Câmera acompanhando ele de frente – setor de telemarketing)

Garoto sai do elevador, tira o capuz, segue andando por um corredor claro, cheio de mesas.

(Garoto passa pelo lado esquerdo da câmera. Câmera vira e acompanha, sem corte)

Entra numa cozinha, olha pra um dos cozinheiros e pára de andar.

(Plano detalhe rosto do garoto)

Escorre uma lágrima. Felipe (garoto) sorri.

Felipe: Tive que vir.... você sabe. Desculpe!

(Plano detalhe)

Rosto do cozinheiro sinalizando que sim com a cabeça, indignado e conformado.

(Câmera tremula – acompanhando ações do Felipe)

Felipe vai até uma das gavetas da cozinha pega uma faca e esconde no bolso kanguru da blusa. Volta para o corredor nervoso, passos rápidos, ofegante. Vai até uma sala aquário.

Felipe entra e pára na frente de uma mesa com computador e acessórios de escritório, sem ninguém na cadeira. Olha pra mesa ao lado, onde está um homem engravatado de mais ou menos 40 anos.

(Plano e Contra-plano)

Felipe: Onde está o Paulo?

Homem: Nossa, veio assinar os papéis? Bom, o Paulo está atrasado hoje....estranho, ele nunca atrasa. Mas pode aguardar ali no sofá, Felipe!

E aí, Você já tem alguma coisa em vista?

Felipe ri.

Felipe: Você tem máquina fotográfica aí?

Homem: Não tenho, mas por que?

Felipe: Queria tirar a ultima foto aqui na empresa. E depois voe mostra pro Paulo,...é que não posso esperar. Detesto esperar, o Paulo sabe.

Homem: Bom, tudo bem....Ah, acho que na gaveta do Paulo tem uma, é verdade.

Felipe: Ótimo, melhor ainda, a foto é pra ele mesmo.

Homem levanta, abre a gaveta do Paulo.


Homem: Pronto, ta aqui.

Felipe: Ela grava vídeos também né?

Homem: Acho que sim.

Felipe: Ah sim, já achei.

(Plano Geral)

Felipe apóia a câmera na mesa de Paulo e liga.

Homem volta para sua cadeira, observando o Felipe disfarçadamente. Felipe ajoelha-se no chão.

(Plano detalhe)

Câmera piscando o vermelho rec.

(Plano médio - Câmera da máquina fotográfica)

Felipe ri, escorrendo uma lágrima. Leva uma faca no pescoço e se corta com força.

Homem da mesa ao lado surge agarrando Felipe, tentando segurar o sangue que saia do pescoço e gritando.

Varias pessoas vem para sala, chorando, desesperadas.

Carregam Felipe para fora da sala. Todos vão juntos

Sala fica vazia.

Homem engravatado com nariz sangrando aparece em quadro.

Homem com nariz sangrando: Tinha que ser assim.

(Tela preta)

Texto: Memória Cheia

1 comment:

Other Voices Other Rooms said...

legal o texto.

achei um pouco exagerado, meio sem começo, meio e fim.

apesar de gostar do desfecho não entendi o porque do suicidio...

gostei tambem da ideia de plano sequencia em algumas cenas.

congratulations mate.